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Time interno de marketing ou agência: o custo em 12 meses

Abrimos a planilha: quanto custa um time interno de marketing, uma agência e um squad em 12 meses. Com números reais de salário, encargos e turnover.

Mesa com documentos financeiros e calculadora, representando o cálculo do custo de um time interno de marketing. Foto de Hanna Pad via Pexels.

Um time interno mínimo de marketing (analista, social media e designer) custa entre R$ 185 mil e R$ 225 mil em 12 meses no Brasil, considerando só salário médio CAGED, encargos e uma ferramenta. Com uma troca de pessoa no ano, passa de R$ 214 mil. Com um gerente na estrutura, chega a R$ 430 mil. Agência ou squad terceirizado sai mais barato em dinheiro direto sempre que o fee mensal com escopo equivalente ficar abaixo de R$ 18 mil no Simples Nacional ou R$ 21 mil no Lucro Presumido. Acima disso, o time interno ganha na conta, e a decisão passa a ser sobre controle e conhecimento, não sobre preço.

O que você vai ver neste post

A pergunta que trava a decisão está errada

A conversa começa quase sempre do mesmo jeito. O dono olha a proposta da agência, vê R$ 9.500 por mês, faz a conta de cabeça e conclui: “por esse valor eu contrato duas pessoas”. Faz sentido na aritmética de guardanapo. Não sobrevive à planilha.

O erro não está na comparação, está na unidade. Fee de agência é custo total, já com encargo, férias, ferramenta, substituição e gestão embutidos. Salário é a primeira linha de uma conta que tem mais sete.

A pergunta certa não é “qual é mais barato”. É: para o escopo que eu preciso nos próximos 12 meses, qual modelo entrega por menos dinheiro total, com que nível de controle, e quanto do meu tempo cada um consome? As três variáveis juntas. Separadas, qualquer resposta parece defensável.

Este texto abre a planilha. Os salários vêm do CAGED, os encargos de duas fontes contábeis independentes, e onde não existe dado confiável está escrito que é premissa. Troque as premissas pelas suas e refaça a conta.

A planilha aberta: quanto custa um time interno em 12 meses

A estrutura mínima que uma PME de serviço consegue defender: uma pessoa que pensa e executa a estratégia, uma que produz e publica, uma que faz a peça. Três cadeiras. Menos que isso não é time, é pessoa sozinha fazendo malabarismo.

Os salários médios abaixo são de contratações CLT registradas no CAGED entre agosto de 2025 e julho de 2026, compilados pelo Portal Salário:

Folha bruta mensal: R$ 11.606,02. Esse é o número que aparece na conta de guardanapo. Agora vem o resto.

Sobre a folha incidem encargos e provisões obrigatórios: FGTS de 8%, provisão de 13º de 8,33%, férias mais o terço constitucional somando 11,11%. No Lucro Presumido e no Lucro Real entram também INSS patronal de 20%, RAT de 1% a 3% conforme o CNAE e contribuições a terceiros de 5,8%. No Simples Nacional a contribuição patronal já está no DAS e não incide por fora.

As duas fontes que consultei convergem na ordem de grandeza e divergem na ponta. A Contaja chega a cerca de 33% no Simples e 67% no Lucro Presumido, incluindo provisão de multa rescisória. O Cálculo Jurídico trabalha com 27,44% de base fixa e 28,8% de encargo patronal, o que dá aproximadamente 56% no Lucro Presumido.

Usei de propósito a ponta mais baixa das duas, 27,44% e 56,24%. Se a sua contabilidade provisiona multa rescisória, some uns cinco pontos. E nenhum número abaixo inclui benefícios, porque vale-transporte, vale-refeição e plano de saúde variam demais para entrar como média. Some os seus.

LinhaSimples NacionalLucro Presumido
Folha bruta mensal (3 pessoas)R$ 11.606,02R$ 11.606,02
Encargos e provisõesR$ 3.184,69R$ 6.527,23
Custo mensal de pessoalR$ 14.790,71R$ 18.133,25
Custo em 12 mesesR$ 177.488,52R$ 217.599,00
Ferramenta de automação (ano)R$ 7.788,00R$ 7.788,00
Total em 12 mesesR$ 185.276,52R$ 225.387,00

A linha de ferramenta usa o plano Pro do RD Station Marketing, a R$ 649 por mês em tabela pública. É uma ferramenta só. Na prática ainda entram banco de imagens, licença de design e agendador. Trate essa linha como piso, não teto.

Traduzindo: o time interno mínimo custa entre R$ 14.791 e R$ 18.133 por mês, antes de benefícios e de qualquer imprevisto. Já nasce mais caro que a proposta de R$ 9.500 que motivou a conversa.

O que a folha de pagamento não mostra

Duas linhas quase nunca entram na planilha do dono, e são exatamente as que decidem a conta.

A primeira é rotatividade. Não é preocupação abstrata. Os mesmos dados do CAGED mostram giro alto nessas funções: 49,9% em analista de marketing, 49,3% em social media, 44,4% em gerente de marketing. Com três cadeiras e giro perto de 50%, o cenário esperado não é “se alguém sair”, é “quando o primeiro sair”.

Quanto custa repor. Aqui o dado é frágil e vale dizer com todas as letras: não existe pesquisa brasileira consolidada sobre custo de reposição por cargo. A faixa mais citada na literatura de RH, atribuída à SHRM, vai de 50% a 200% do salário anual conforme o nível, somando recrutamento, integração, treinamento e o período até a pessoa nova render. É estimativa importada, não número medido no Brasil.

Peguei a ponta mais baixa, 50%, aplicada ao analista de marketing: R$ 4.914,34 vezes 12, vezes 50%, dá R$ 29.486 por substituição. Uma troca no ano leva o custo de 12 meses para R$ 214.763 no Simples e R$ 254.873 no Lucro Presumido. Ou seja, R$ 17.897 a R$ 21.239 por mês.

A segunda linha é a mais cara e nunca aparece: o seu tempo. Time interno não se autogere. Alguém define prioridade, revisa peça, aprova pauta, cobra prazo, resolve o conflito entre o que vendas quer e o que marketing consegue. Se você não contratou um gestor, esse alguém é você.

O preço dessa cadeira está registrado: gerente de marketing tem média de R$ 10.957,11 no CAGED. Com essa quarta pessoa a folha bruta vai para R$ 22.563,13 e o custo de 12 meses sobe para R$ 352.842 no Simples e R$ 430.820 no Lucro Presumido.

Esse é o número honesto de um time interno completo e autogerido. Quem não contrata o gestor não economizou os R$ 167 mil anuais que essa cadeira custa no Simples, apenas transferiu a função para a agenda de quem deveria cuidar do negócio. É a mesma armadilha de ficar preso ao operacional em qualquer área da empresa.

O que você compra quando contrata uma agência

Sobre quanto custa uma agência, direto ao ponto: não existe pesquisa de mercado independente publicada no Brasil. As faixas que circulam na internet, de R$ 2.000 a R$ 30.000 por mês, saem de blogs das próprias agências. É tabela de quem vende, não levantamento de quem mede.

O número que importa é outro: o fee da proposta que está na sua mesa. Pegue ele e compare com os R$ 17.897 a R$ 21.239 mensais calculados acima. Essa é a conta, e ela é sua, não do mercado.

O que muda de verdade é a natureza do custo. Fee é variável e cancelável. Folha é fixa e cara de desmontar. Num ano em que o faturamento oscila, essa diferença vale mais que qualquer desconto. Já escrevemos sobre quando e por que terceirizar marketing faz sentido, e a lógica é a mesma de terceirizar qualquer processo de negócio: você troca custo fixo por custo contratado.

Três coisas vêm junto com o fee e não aparecem no contrato:

  1. Risco de turnover transferido. Se o analista da agência sai, o problema é dela. Aquele R$ 29.486 de reposição não é mais seu.
  2. Ferramenta e licença diluídas. A agência paga o RD Station uma vez e rateia entre a carteira. Você pagaria integral.
  3. Repertório de quem vê vários mercados. Um analista interno vê um negócio. Uma agência com carteira vê o mesmo padrão repetido em dezenas, e sabe o que já falhou antes de você tentar.

O que você perde também é concreto: velocidade de contexto. Ninguém de fora conhece seu cliente como quem atende ele há cinco anos. Isso não é detalhe, é o ponto central da decisão, e volto nele mais à frente.

O squad terceirizado: o meio-termo que virou padrão

O squad é agência com nome e cara: em vez de contrato genérico com atendimento rotativo, você contrata um conjunto fixo de pessoas alocadas por um número definido de horas, com escopo escrito e rito de reunião.

A diferença prática não é de preço, é de previsibilidade. Contrato de agência tradicional costuma ser vago o bastante para que “otimização de campanhas” signifique quatro horas num mês e dezesseis no outro. Squad tem alocação declarada: tantas horas de estratégia, de produção, de mídia, com quem faz cada uma. A briga de todo contrato de marketing é sobre escopo, e escopo vago sempre resolve a favor de quem executa. Quando a entrega vira serviço produtizado, com escopo e preço fechados, some a conversa mensal sobre o que estava incluído.

O squad também resolve o problema de gestão que o time interno cria: o fee inclui quem coordena. Você aprova direção e lê resultado, não distribui tarefa. Na conta do tempo do dono, isso vale os R$ 10.957 do gerente que você não contratou.

Os três modelos lado a lado

Time interno (3 pessoas)AgênciaSquad terceirizado
Custo em 12 mesesR$ 214.763 a R$ 254.873Fee contratado x 12Fee contratado x 12
Natureza do custoFixo, difícil de desmontarVariável, cancelávelVariável, com escopo travado
Risco de turnoverSeu, cerca de R$ 29.486 por trocaDo fornecedorDo fornecedor
Quem gerenciaVocê, ou mais R$ 10.957 por mêsAtendimentoLíder do squad
Conhecimento do seu clienteAlto e cumulativoBaixo no início, cresce devagarMédio, cresce com rito fixo
Velocidade de respostaMinutosDiasHoras
Tempo até operar60 a 90 dias de recrutamento e rampa15 a 30 dias15 a 30 dias

Os valores de time interno são os calculados aqui, com uma substituição no ano e sem benefícios. As colunas de agência e squad ficam abertas de propósito: preencha com a proposta real que você tem em mãos.

Quando o time interno ganha

O time interno ganha quando o volume justifica. Se você paga fee acima de R$ 21 mil por mês há dois anos para um escopo que três pessoas dariam conta, gastou mais de R$ 500 mil sem construir nada dentro de casa. O ponto de virada está em torno de R$ 18 mil mensais no Simples e R$ 21 mil no Lucro Presumido, para escopo equivalente.

Ganha quando o marketing é o produto. Escola, mídia, infoproduto, e-commerce de catálogo grande. Se o conteúdo é o canal principal e o volume diário é alto, nenhum fornecedor acompanha o ritmo sem cobrar por hora até virar mais caro que a folha.

Ganha quando o conhecimento é profundo e específico. Setor regulado, produto técnico, ciclo de venda de nove meses, cliente que decide em comitê. A rampa de um fornecedor aqui é medida em trimestres, e às vezes ele nunca chega lá.

E ganha, sempre, no conhecimento do cliente. Quem atende seu cliente há anos sabe coisas que não estão em nenhum CRM: qual objeção mata a venda, o que o comprador fala quando desliga o telefone, por que o concorrente perdeu aquela conta. Nenhuma ferramenta, nenhuma automação e nenhum fornecedor substitui isso. O melhor arranjo terceirizado é o que extrai esse conhecimento de dentro e o coloca para rodar em escala, não o que finge que ele não existe.

Onde ele perde é previsível: começo de operação, escopo instável, orçamento que precisa respirar. Nos primeiros 90 dias você ainda não sabe qual canal funciona, e contratar CLT para descobrir é apostar caro numa hipótese não testada. É o mesmo raciocínio de estruturar go to market antes de montar estrutura.

Cinco perguntas antes de assinar qualquer coisa

Responda estas cinco por escrito. Se travar em duas, você ainda não tem a decisão pronta.

  1. Qual é o escopo real dos próximos 12 meses? Quantas peças, quantas campanhas, quantos canais, com que frequência. Sem isso, qualquer comparação é chute.
  2. Qual o seu regime tributário? A diferença entre Simples e Lucro Presumido muda o custo do time interno em cerca de R$ 40 mil por ano nessa estrutura de três pessoas. Não é detalhe contábil, é a decisão.
  3. Quem gerencia, e quantas horas por semana? Se a resposta for você, coloque o valor da sua hora na planilha. Se não souber quanto vale, esse é o primeiro problema a resolver.
  4. O que acontece se a pessoa principal sair em seis meses? Time interno: você para e recomeça. Fornecedor: é problema dele.
  5. Esse marketing precisa de conhecimento que só existe dentro da sua empresa? Se sim, nenhum modelo terceirizado funciona sem um rito de extração desse conhecimento. Exija ver esse rito na proposta.

Se a planilha continuar empatada, o critério de desempate não é preço, é reversibilidade. No primeiro ano de qualquer operação de marketing, errar barato e corrigir rápido vale mais que acertar caro.

É esse tipo de conta que abrimos com quem chega até a gente: qual estrutura o negócio aguenta, quanto ela custa de verdade e o que dá para fazer antes de assumir folha. Veja como estruturamos operação de marketing e crescimento ou traga sua planilha para a mesa e fale com a gente.

Perguntas frequentes

Quanto custa montar um time interno de marketing numa PME?
Uma estrutura mínima de três pessoas (analista de marketing, social media e designer) custa entre R$ 185.277 e R$ 225.387 em 12 meses, considerando salários médios do CAGED, encargos e uma ferramenta de automação, sem benefícios. Com uma substituição no ano, vai para R$ 214.763 a R$ 254.873. Incluindo um gerente de marketing, chega a R$ 352.842 no Simples Nacional e R$ 430.820 no Lucro Presumido.

Quanto os encargos aumentam o custo de um funcionário CLT?
No Simples Nacional, entre 27% e 33% acima do salário bruto, porque a contribuição patronal já está no DAS. No Lucro Presumido e no Lucro Real, entre 56% e 67%, somando INSS patronal de 20%, RAT de 1% a 3% e terceiros de 5,8% aos encargos de FGTS, 13º e férias. A variação depende do CNAE e da provisão de rescisão. Benefícios entram por fora.

A partir de que valor de fee vale a pena trocar a agência por um time interno?
Para escopo equivalente ao de três pessoas, o ponto de virada fica em torno de R$ 18 mil mensais no Simples Nacional e R$ 21 mil no Lucro Presumido, já considerando uma substituição por ano. Abaixo disso, a agência custa menos em dinheiro direto. Acima, o time interno passa a compensar, e a decisão migra de preço para controle.

Qual a diferença entre agência e squad terceirizado?
Agência opera por contrato de escopo geral, com equipe rotativa e atendimento compartilhado. Squad aloca um conjunto fixo e nomeado de profissionais, por horas declaradas e escopo escrito. A diferença prática é previsibilidade: no squad você sabe quem faz o quê e quantas horas, o que elimina a discussão mensal sobre o que estava incluído.

Terceirizar marketing significa perder o conhecimento interno do negócio?
Não, desde que o contrato preveja um rito de extração desse conhecimento. O que o dono e a equipe sabem sobre o cliente (objeções reais, motivo de perda, linguagem de compra) é o insumo mais valioso de qualquer estratégia e não existe fora da empresa. Um bom arranjo terceirizado estrutura e escala esse conhecimento; um ruim ignora e produz conteúdo genérico.

Última atualização: 23 de setembro de 2026.

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